Copa do Mundo

Como Fifa ampliará serviço de proteção contra posts discriminatórios durante a Copa do Mundo

Como Fifa ampliará serviço de proteção contra posts discriminatórios durante a Copa do Mundo

Para reduzir a quantidade de mensagens abusivas direcionadas aos jogadores e às equipes durante a Copa do Mundo, a Fifa ampliará o serviço de proteção para comentários discriminatórios nas redes sociais. Esta é a segunda edição do torneio em que a Federação utilizará a medida. A primeira vez ocorreu no Catar, em 2022.

De acordo com o “The Guardian”, a principal entidade do futebol ofereceu seu recurso de moderação gratuitamente a todas as federações de futebol no torneio de 2026.

Segundo o jornal, a tecnologia filtra comentários abusivos e ofensivos de 30.000 palavras-chave nas redes sociais de times e jogadores, ocultando-os em menos de dois segundos.

Com a ferramenta, a pessoa que enviou o comentário ofensivo ainda pode ver a publicação, mas não sabe que ela foi ocultada e denunciada para investigação. Além disso, o usuário que fez a publicação pode ser banido da compra de ingressos para jogos da Fifa ou de partidas de clubes.

A inteligência artificial utilizada pela Federação funciona nas plataformas Meta, Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e Threads, mas não no X de Elon Musk, que permite a visualização de comentários ocultos.

SoFi Stadium receberá jogos da Copa do Mundo (Foto: IMAGO / Icon Sportswire)

Clubes da Premier League também utilizam

O método para proteção dos atletas não é inédito da Fifa. O jornal inglês informou que um número crescente de clubes da Premier League também tem utilizado inteligência artificial para ocultar conteúdos racistas, homofóbicos e misóginos direcionados aos jogadores nas redes sociais das equipes. 

O Tottenham, que condenou o “racismo vil e desumanizador” direcionado ao zagueiro Kevin Danso após seu erro contra o Brighton na temporada passada, está entre as equipes que adotaram a abordagem.

Tanto os Spurs quanto o Arsenal firmaram uma parceria com a plataforma de inteligência artificial Respondology, que também trabalha com a campanha “No Room For Racism”, do campeonato inglês.

— Nossa IA funciona em todos os idiomas, incluindo código Morse e Klingon, que testamos. Não é brincadeira, ela entende referências e nuances culturais. Pode haver dez vezes mais ódio [na Copa], e haverá porque estamos nos Estados Unidos, e ela consegue lidar com isso. Esta é uma tecnologia para o bem — afirmou o cofundador e CEO da Respondology, Erik Swain.

Premier League em campanha “No Room for Racism” (Foto: IMAGO / Action Plus)

De acordo com o “The Guardian”, a empresa expandiu sua atuação para o futebol depois que os jogadores ingleses Bukayo Saka, Marcus Rashford e Jadon Sancho foram alvo de racismo após perderem pênaltis na final da Eurocopa de 2020.

— Há também um aspecto de saúde mental. O que aconteceu com Saka, Rashford e Sancho na Euro 2020 foi horrível. Essa tecnologia protege a saúde mental do jogador. Eles podem entrar em campo sem se preocupar em serem criticados nas redes sociais se cometerem um erro — destacou.

Outro clube que também introduziu um código de conduta para redes sociais foi o Manchester United, em 2024. Para Erik Swain, o movimento visando proteger os atletas deve aumentar entre os clubes da Premier League.

— Muitos atletas não precisam disso e muitos outros adoram porque sentem que protege sua saúde mental. E os clubes querem proteger a saúde mental de seus atletas. A primeira coisa que muitos jogadores fazem depois de um jogo é se limpar e depois pegar o celular para ver a reação. A questão é que temos a tecnologia para resolver o problema, então vamos simplesmente usá-la — explicou.

Ainda segundo Swain, a Meta, a X e outras empresas de tecnologia não introduziram seus próprios serviços de moderação porque não é de interesse da própria empresa.

— Filosoficamente, elas não querem. Elas dizem que são plataformas, não editoras, e que o que as pessoas dizem é problema delas — afirmou.

A Respondology foi criada em resposta à enxurrada de abusos racistas e sexistas direcionados à Serena Williams após a tenista publicar uma foto com seu bebê recém-nascido no Facebook durante o US Open de 2019. A empresa também tem sido acionada para atuar em plataformas de equipes da NFL, além da NASCAR, de automobilismo.

Fonte: Trivela  |  Autor: Carol Guerra

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