Após longo período de incerteza sobre sua participação na Copa do Mundo, o Irã vai disputar o torneio na América do Norte. Contudo, devido à guerra contra os Estados Unidos, a seleção vai transferir sua base de treinamentos para o México.
No sábado (23), o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, afirmou em comunicado que a equipe comandada por Amir Ghalenoei fará sua preparação para o Mundial em Tijuana, e não no complexo do Arizona, que passou os últimos meses se preparando para receber a delegação.
No final de fevereiro, uma semana antes dos ataques dos EUA e Israel que desencadearam o atual conflito, o Complexo Esportivo Kino, em Tucson, anunciou que seria o CT do Irã. Contudo, o dirigente máximo da seleção confirmou que recebeu o aval da Fifa para treinar em solo mexicano.
— Vamos estabelecer nosso campo de treinamento em Tijuana, que fica perto do Oceano Pacífico e na fronteira entre o México e os Estados Unidos, mas em território mexicano. O contrato será finalizado e não há problemas, pois já foi aprovado pela Fifa — garantiu Taj.
Nem a Fifa, tampouco o Complexo Esportivo Kino, confirmaram a informação quando procurados pelo portal “The Athletic”. A seleção iraniana está no Grupo G da Copa ao lado de Bélgica, Nova Zelândia e Egito, cujos jogos serão disputados no SoFi Stadium em Inglewood, Califórnia, e no Lumen Field, em Seattle.
A indefinição sobre a participação do Irã na Copa do Mundo
Com a investida militar estadunidense em março, autoridades iranianas começaram a questionar se deveriam jogar a Copa do Mundo. O presidente Donald Trump chegou a dizer que não considerava “apropriado” que a seleção entrasse no país para a disputa da competição, “para a própria segurança deles”.
A federação do Irã tentou alterar os locais de suas partidas no Mundial para o México, porém, a entidade máxima do futebol sequer considerou essa possibilidade sob a justificativa de que não seria possível alterar a logística do torneio anunciada em dezembro de 2025.
Gianni Infantino, presidente da Fifa, tentou tranquilizar a seleção garantindo que eles seriam “bem-vindos” nos Estados Unidos. Nas últimas semanas, dirigentes do Irã conversaram com a entidade exigindo uma série de garantias com os organizadores do torneio.
A federação iraniana confirmou sua presença na Copa, mas “sem qualquer recuo em relação às nossas crenças, cultura e convicções”. O grupo também buscou viabilizar que todos os atletas, membros da comissão técnica e dirigentes que viajassem com a delegação receberiam vistos para entrar na América do Norte.
Cabe ressaltar que alguns nomes com supostos vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), incluindo o presidente da Federação Iraniana de Futebol, tiveram a entrada negada nos Estados Unidos para o sorteio dos grupos, além de perderem o Congresso anual da Fifa realizado no Canadá também por problemas com vistos.
Autoridades do Arizona alegaram na última semana que a força-tarefa para receber a seleção iraniana estava a todo vapor, com várias agências de segurança pública se reunindo regularmente para coordenar a segurança, conforme dito por uma fonte anônima ao “The Athletic”.
O acampamento em Tucson planejava trazer um professor de estudos do Oriente Médio da Universidade do Arizona para uma sessão de treinamento cultural com a equipe que trabalharia diretamente com a delegação do Irã. Entretanto, a seleção priorizou montar sua base de treinos em Tijuana.
Mehdi Taj argumenta que a preparação da seleção iraniana no México incluirá “todas as instalações de treinamento, academia, restaurante privativo e tudo o mais que a equipe precisa”, cuja localização também representa uma viagem mais curta até Los Angeles para as duas partidas da primeira fase da Copa do Mundo.
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