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Messidependência? O que há por trás do sumiço dos coadjuvantes da Argentina na Copa

Messidependência? O que há por trás do sumiço dos coadjuvantes da Argentina na Copa

A classificação dramática diante do Egito, nesta terça-feira (7), reforçou uma impressão que acompanha a Argentina desde o início da Copa do Mundo: Lionel Messi continua resolvendo problemas quando o calo aperta. Nem mesmo um pênalti desperdiçado quando a equipe perdia por 1 a 0 abalou o camisa 10.

Coube a ele iniciar a reação com assistência para Cristian Romero e, depois, marcar o gol que recolocou a seleção no jogo antes da virada por 3 a 2. Aos 39 anos, o capitão segue sendo o centro gravitacional da Albiceleste, exatamente como foi na campanha do título mundial de 2022.

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Se a melhor notícia para Lionel Scaloni é ter um Messi em estado de graça, a pior é perceber que boa parte dos jogadores que sustentavam o funcionamento coletivo do time ainda não apareceu neste Mundial. A Argentina continua viva, está nas quartas de final e segue entre as candidatas ao título, mas sua trajetória tem sido construída muito mais pela genialidade do camisa 10 do que pela força do conjunto.

Não é coincidência. Alguns dos principais coadjuvantes argentinos chegaram ao torneio atravessando temporadas abaixo do esperado em seus clubes e transportaram esse momento para a seleção. Em comum, Alexis Mac Allister, Rodrigo De Paul e Thiago Almada vivem uma Copa para lá de irregular.

Casos de Mac Allister e De Paul são os mais chamativos na Argentina

Rodrigo De Paul em ação pela seleção argentina (Foto: Matteo Gribaudi / Gribaudi ImagePhoto / IMAGO)

Poucos simbolizam isso melhor do que Alexis Mac Allister. Um dos motores do meio-campo argentino em 2022, o volante nunca encontrou seu melhor futebol ao longo da temporada europeia. O Liverpool, coletivamente, ficou distante do nível que acostumou a apresentar nos últimos anos, e Mac Allister também caiu de produção.

Na Copa, a queda de rendimento ficou ainda mais evidente. Se com a bola ele já participa menos da construção ofensiva, sem ela o cenário preocupa ainda mais. O camisa 20 tem falhado em coberturas, chega atrasado em perseguições e oferece menos proteção aos zagueiros.

Rodrigo De Paul também está longe da versão que se transformou no principal escudeiro de Messi. A estreia contra a Argélia deu a impressão de que faria uma grande Copa: além da boa atuação, distribuiu uma assistência precisa para um dos três gols marcados pelo camisa 10. Desde então, porém, seu rendimento caiu bastante.

O volante continua correndo e se entregando, mas já não domina os espaços com a mesma eficiência. Sua principal característica sempre foi antecipar jogadas, encurtar linhas e imprimir intensidade ao meio-campo argentino. Nesta Copa, tem errado o tempo dos desarmes, perdido disputas físicas e chegado atrasado na recomposição.

É inevitável questionar quanto sua transferência para o Inter Miami influencia nesse processo. O futebol norte-americano oferece um nível competitivo inferior ao das principais ligas europeias e exige bem menos intensidade física durante a temporada. Não seria justo atribuir toda a queda de rendimento a essa mudança, mas a diferença de ritmo parece aparecer justamente nas virtudes que sempre fizeram de De Paul um jogador indispensável para Scaloni.

Almada perde espaço enquanto Paredes ganha força

Thiago Almada em ação pela seleção argentina (Foto: Giacomo Cosua / Gribaudi ImagePhoto / IMAGO)

Se Mac Allister e De Paul seguem titulares apesar da má fase, Thiago Almada já começa a pagar a conta. Sua primeira temporada pelo Atlético de Madrid ficou abaixo das expectativas, com apenas quatro gols e duas assistências em 40 partidas. A irregularidade vista na Espanha também tem acompanhado o meia na Copa.

Em alguns momentos, Almada ainda consegue produzir lampejos de criatividade, mas eles têm sido cada vez mais raros. Falta continuidade e maior influência nas ações ofensivas.

Contra o Egito, sequer saiu do banco. Scaloni optou por Leandro Paredes desde o início, e a escolha funcionou. O volante naturalmente reduziu o ritmo da equipe, mas compensou isso oferecendo maior equilíbrio defensivo, circulação de bola mais limpa e uma dose importante de criatividade.

A tendência é que essa disputa pela vaga continue aberta, especialmente porque Almada, neste momento, não parece oferecer argumentos suficientes para recuperar a posição. Seu futuro no Atlético de Madrid, inclusive, está ameaçado.

Segundo o jornal argentino Olé, o River Plate chegou a um acordo verbal com o clube espanhol para comprar 50% de seus direitos econômicos por 20 milhões de euros, em uma negociação que pode ser concluída nas próximas semanas.

Fonte: Trivela  |  Autor: Guilherme Calvano

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