Faltando menos de um mês para a convocação final da Copa do Mundo, Endrick escolheu o melhor momento possível para brilhar e reaparecer no centro do debate. Neste domingo (19), no Parque dos Príncipes, o atacante foi decisivo na vitória do Lyon por 2 a 1 sobre o Paris Saint-Germain, resultado que recoloca a equipe na briga direta por uma vaga na próxima Champions League — e, de quebra, reposiciona o brasileiro na disputa por um lugar na lista de Carlo Ancelotti.
Em um intervalo de 17 minutos, Endrick resolveu o jogo. Abriu o placar logo aos cinco e, pouco depois, deu a assistência para Afonso Moreira ampliar. O PSG ainda descontou com Khvicha Kvaratskhelia já nos acréscimos, e Gonçalo Ramos chegou a desperdiçar um pênalti na etapa inicial, mas o roteiro já estava definido cedo demais para ser revertido.
Mais do que o resultado, o contexto amplia o peso da atuação. Endrick vinha de sete jogos sem marcar e havia sido cobrado publicamente por Paulo Fonseca, que pediu mais impacto ofensivo do camisa 9. A resposta veio justamente contra o líder do campeonato, fora de casa.
A repercussão foi imediata — e inevitavelmente passou também pela discussão sobre Seleção. Em entrevista à Trivela, Michel Bastos, que defendeu o Lyon entre 2009 e 2013, defendeu a presença do jovem atacante na Copa e vinculou diretamente a atuação em Paris ao tipo de argumento que costuma pesar na reta final de convocação.
— Não sei se cravou (a vaga na Copa), mas eu levaria sim. Acho que é importante para o Endrick ser decisivo em jogos importantes. É uma vitória contra o Paris Saint-Germain que leva o Lyon para a quarta posição do campeonato. E ele participa dos dois gols do Lyon. É para isso que o Lyon o trouxe, o contratou — disse.
— Acho que tem que aproveitar essa geração aí de Endrick, Estêvão… Acho que é o futuro da nossa Seleção. Então a gente não pode abdicar de uma molecada aí de 18 anos, com talento que esses meninos têm — completou.
Endrick mostra poder de decisão e justifica escolha pelo Lyon
O triunfo levou o Lyon aos 54 pontos, colocando a equipe na quarta posição da Ligue 1, ainda atrás do Lille nos critérios de desempate, mas inserido de vez na disputa por Champions.
No caso de Endrick, o jogo também dialoga diretamente com a escolha de ter deixado o Real Madrid por empréstimo. Aos 19 anos, ele optou por um movimento calculado: trocar a concorrência pesada em Madri por minutos, protagonismo e exposição em um ambiente competitivo, mas mais acessível.
O Lyon oferecia exatamente esse cenário. Um clube com histórico de desenvolvimento de jovens, inserido em uma liga relevante e comandado por um treinador que favorece o diálogo — é português — e a evolução gradual. A ideia nunca foi romper com o projeto merengue, mas ganhar tempo de jogo em um momento sensível da carreira.
Esse tipo de decisão costuma ser avaliado com lupa — e, não raro, com impaciência. Sequências sem gols, como a que Endrick atravessava — ainda que viesse performando bem , alimentam dúvidas rápidas. Por outro lado, atuações como a deste domingo tendem a produzir o efeito inverso, recolocando o jogador em evidência de forma quase imediata.
Endrick pelo Lyon:
- 17 jogos
- 7 gols
- 6 assistências
O que pesa na reta final pré-Copa
A discussão levantada por Michel Bastos passa justamente por esse ponto: o que deve pesar mais em uma convocação? O potencial projetado ou a capacidade recente de decidir?
Endrick, ao menos neste recorte, entrega os dois elementos. Carrega expectativa desde muito cedo e, agora, começa a somar episódios concretos em jogos grandes. Contra o PSG, não foi só participativo, como determinante para o resultado final.
Para um treinador como Ancelotti, historicamente inclinado a valorizar jogadores que respondem em cenários de pressão, esse tipo de atuação dificilmente passa despercebido. Ainda mais a poucas semanas da definição da lista final, marcada para 18 de maio.
Isso não encerra a disputa por vagas no ataque, nem elimina questionamentos sobre regularidade. Mas muda o tom da conversa. Endrick, ao que tudo indica, deu passo importante rumo ao Mundial.
Segundo o “Uol”, Ancelotti já definiu 22 dos 26 convocados para a Copa do Mundo e ainda tem quatro vagas em aberto, sendo duas delas no ataque. Disputando as últimas vagas para o setor, estão: Endrick, Igor Thiago, Kaio Jorge, Rayan, Richarlison e Neymar.
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