Em um jogo típico de disputa de terceiro lugar de Copa do Mundo, Inglaterra e França entregaram um 6 a 4 agitado a favor do English Team neste sábado (18). Mesmo sendo uma partida que, em tese, não vale nada, serviu para consolidar alguns recados para o próximo técnico dos Bleus, que só falta oficializar que será Zinedine Zidane.
A despedida de Didier Deschamps acabou amarga e expôs um time pouco mobilizado, em especial no primeiro tempo, finalizado em 4 a 0 para o lado inglês. Até o que deixou de negativo pode ter alguma utilidade ao novo comandante da França, que, segundo o jornal “L’Équipe”, deve começar os trabalhos em 1º de setembro.
Cherki sai menor na seleção francesa; outros reservas também decepcionam
Antes da Copa iniciar, a escalação da França tinha uma dúvida no ataque pela grave lesão de Hugo Ekitiké, dono da ponta esquerda. Rayan Cherki, pela boa temporada no Manchester City, era um candidato a ganhar uma posição junto de Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise.
No fim, só Désiré Doué e Bradley Barcola tiveram oportunidades como titulares nessa vaga. O meia dos Citizens, que irritou a comissão técnica por dizer que a França “esmagaria todos” na Copa antes do início do torneio, só foi titular na disputa do terceiro lugar. Entrou como reserva, nos minutos finais, em seis partidas e nem ganhou uma chance nas quartas de final, contra Marrocos.
Em todas as vezes que entrou, nem fez menção de colocar uma dúvida em Deschamps. Pouco intenso, displicente, desconcentrado e em seu próprio mundo. Como já ocorreu na Inglaterra e gerou “amor e ódio” de Pep Guardiola.
O auge veio na partida com a Inglaterra, quando até deixou seu técnico falando sozinho ao ouvir uma reclamação.
É algo para Zidane se atentar. Qualidade não falta para Cherki, um dos mais talentosos da geração atual. O que precisa ser sanado é o descompromisso em alguns momentos dos jogos.
O camisa 26 não foi o único reserva a decepcionar. Theo Hernández, que até entrou bem na semifinal contra a Espanha, exibiu descompromisso com a marcação em algumas oportunidades, assim como Doué. Malo Gusto sofreu com a velocidade inglesa.
—Nós entramos de maneira bastante vergonhosa, eu diria, no primeiro tempo. Eu vi comportamentos de alguns jogadores que eu nunca tinha visto até aqui. […] Nós não podemos nos contentar em fazer as coisas de qualquer jeito assim — criticou o meio-campista Adrien Rabiot à “BeIN Sports France”.
Dinâmica Mbappé, Dembélé e Olise precisa continuar
Uma das coisas positivas que surgiram após as trocas no intervalo foi a consolidação do incrível entrosamento no trio de ataque.
Olise, voltando a ser meia central depois de ter começado como ponta direita, Mbappé, em função de centroavante associativo, e Dembélé, aberto na direita para potencializar o de drible e a imprevisibilidade pela ambidestria, brilharam com uma jogada genial.
Aos 20 do segundo tempo, Dembélé acionou Olise, que deu um corta-luz e logo deu opção para tabelar com Mbappé. O camisa 10 dominou e bateu de canhota para chegar ao 10º gol nesta Copa, 22 no total, isolado como o maior artilheiro da história dos Mundiais, mesmo com apenas 27 anos.
Olise ainda deu a assistência para o outro gol do centroavante e superou Pelé (seis) como o maior assistente em uma só edição de Copa (sete). Dembélé, em bonito chute colocado, também guardou o seu.
O novo técnico, definitivamente, já sabe quem será a base de sua estrutura ofensiva, pelo menos para o ciclo até a Eurocopa de 2028.
Upamecano é chave para a liberdade dos atacantes
Outra substituição que transformou o astral francês na partida foi a de Dayot Upamecano na vaga de Ibrahima Konaté. O defensor, considerado por muitos o melhor de toda a Copa, mostrou como sua presença potencializa até os homens de frente.
Em um desarme em Ollie Watkins no meio-campo, o zagueiro do Bayern de Munique carregou até a intermediária e serviu Olise antes do gol de Mbappé. No tento de Dembélé, antecipou um passe inglês e tocou em profundidade para o atacante marcar.
É um zagueiro rápido que, além dos desarmes e das antecipações, é capaz de cobrir longos espaços nas costas da defesa francesa, algo natural para um time com tanto talento e que naturalmente dá mais espaços. A defesa dos Bleus é Upamecano mais três.
Zidane tem sua estreia no comando da seleção da França em 25 de setembro, quando visita a Turquia pela Nations League. Na mesma Data Fifa, ampliada até o começo de outubro, enfrenta Bélgica, Itália e novamente os belgas.
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