O esporte brasileiro está de luto nesta sexta-feira (17). Vítima de um tumor cerebral, morreu a lenda do basquete Oscar Schmidt, aos 68 anos, maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos e segundo maior da modalidade (atrás apenas de Lebron James). Ao lado de Pelé, é um dos maiores atletas brasileiros de todos os tempos.
O ex-jogador, autor de mais de 49 mil pontos durante a carreira, recebeu o apelido de “Mão Santa” por sua precisão nos arremessos e fez história na seleção brasileira. Essa história, no entanto, poderia ser bem diferente se ele tivesse seguido o seu esporte favorito na infância: o futebol. O menino praticava esportes pela influência do pai, militar, e só tinha o desejo de chutar bolas nas ruas de Natal, onde nasceu, em 1958.
— Eu não gostava de basquete, gostava de futebol. Eu jogo de centroavante, quero que o time me passe a bola para eu fazer gol — disse à “RedeTV” em maio de 2022.
No entanto, o garoto, que, aos 13 anos, já era enorme para sua idade, trocou para o basquete pela influência de um professor de educação física, quando se mudou para Brasília. O resto é história. “Eu queria ser jogador de futebol, mas não ia dar certo”, reiterou, ao “Uol”, em 2017.
Copa do Mundo de 1970 marcou Oscar Schmidt
O tri da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970 tinha um lugar especial no coração de Oscar. Também ao “Uol”, ele disse que o título de Pelé, Rivelino, Tostão e companhia é a maior lembrança positiva de sua infância. Pesou também que foi a primeira vez que o país assistiu a uma taça mundial ao vivo na televisão.
— Nossa Senhora, a primeira transmissão a cores para o Brasil e a Seleção ganhar. Aquele título para mim é o maior de todos os tempos que o Brasil teve. Ver Pelé, o cara me arrepia só de pensar — disse.
— Eu tinha 12 anos na época, nem vi na minha casa porque a gente não tinha televisão. Fomos ver na casa de um amigo e vimos a cores. A televisão a cores era um negócio assim de outro planeta. Você ver as imagens com cor, como ‘fantasma’, mas você nem ligava para o fantasma, você via a imagem com cor.
Mão Santa era santista, mas Corinthians o mudou
Durante sua carreira no basquete, Schmidt passou por alguns clubes que são gigantes no futebol. Seu início foi no Palmeiras, onde fez sucesso e chegou à seleção brasileira pela primeira vez. Depois de brilhar em outros continentes, retornou ao Brasil e passou por Corinthians e Flamengo.
No Timão, porém, sua identificação foi a maior de todas. O “Mão Santa” foi a peça central da conquista do título brasileiro de 1996, com direito a 30 pontos contra o Santa Cruz do Sul e uma festa da fiel no Ginásio Wlamir Marques que o marcou.
A conquista foi tão especial que Schmidt, torcedor do Santos até chegar ao Parque São Jorge, trocou de time já trintão. “Não vou esquecer nunca! Joguei bem, o time ganhou e foi um dos grandes títulos que ganhei na minha carreira. […] Foi o Campeonato Brasileiro que me fez virar a casaca. Eu torcia pelo Santos e virei a casaca“, disse ao “ge” em 2022.
Nas redes sociais, Corinthians, Flamengo, Palmeiras e vários outros clubes homenagearam a partida da lenda do basquete.
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