Na decisão da maior Copa do Mundo de todos os tempos, a Espanha bateu a Argentina por 1 a 0, na prorrogação. Mesmo com o brilho individual de Lionel Messi na campanha finalista de Lionel Scaloni, quem se sobressaiu foi o jogo coletivo de Luis de la Fuente. E para o colunista da Trivela Tim Vickery, o título serviu para consolidar o projeto das últimas décadas de La Furia.
Durante a última edição do programa “Copa em Contexto”, da Trivela, exibido nesta segunda-feira (20), no YouTube, o jornalista inglês analisou o domínio avassalador dos espanhóis, que não permitiram os argentinos finalizarem a gol até a prorrogação graças ao controle de bola absoluto e à qualidade nos toques curtos.
— A Espanha não é uma grande potência econômica, é uma ideia de jogo, uma cultura futebolística que, nos últimos 30 anos, fez progressos sensacionais. Não dá para chamar esse time de Fúria, esse time é o anti-Fúria. É o cérebro, um time frio, que às vezes tem dificuldade em traduzir posse de bola e domínio em gols, mas é uma ideia coletiva muito forte. — começou Vickery.
Espanha criou identidade própria com o que tinha de melhor à disposição
O colunista da Trivela ressaltou a visão do futebol espanhol olhar para si no início do século XXI e responder duas perguntas cruciais: “quem somos?” e “qual o tipo de jogador a gente tem e que dá para aproveitar?”. A resposta teve partipação especial de Johan Cruyff, que moldou a identidade do Barcelona e da seleção.
— É realmente impressionante como a Espanha criou uma cultura futebolística, com uma peça chave neerlandesa: a influência de Johan Cruyff no Barcelona, que é (a síntese) do que a seleção vem fazendo nos últimos anos — continuou Tim Vickery.
A máxima de Cruyff era simples: “se você tem a bola, o rival não pode te marcar”. Essa premissa moldou a formação dos jogadores em La Masia, priorizando meio-campistas de toques curtos, e inspirou a filosofia de Pep Guardiola, que transformou o tiki-taka de seu Barça em uma cultura da seleção nacional.
— Normalmente os times não são muito físicos, mas tem meio-campistas com entendimento do jogo — resumiu o jornalista.
Nomes como Luis Aragonés, Vicente del Bosque e Luis Enrique deram sequência a esse modelo em La Furia, que também foi seguido desde as seleções juniores. De la Fuente, que assumiu o sub-19 da Espanha em 2013 e construiu sua carreira subindo nas categorias de base até o time principal, em 2022, manteve a fórmula do sucesso.
A Espanha, um país de línguas e características diferentes, soube unir sua diversidade ao redor de um propósito coletivo, abraçado pelos demais clubes. Não à toa, a seleção ergueu três taças da Eurocopa (2008, 2012 e 2024) e duas do Mundial (2010 e 2026) com gerações talentosas, sobretudo no setor intermediário.
— A Espanha, capaz de produzir tantos meio-campistas de toques e leitura de jogo, acabou baseando sua identidade ao redor desse perfil. É o triunfo de uma ideia, e isso é digno de elogios — concluiu Vickery.
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