Assim como em 2018, a Inglaterra saiu na frente no placar, recuou e tomou a virada em uma semifinal de Copa do Mundo. Mais do que a eliminação para a Argentina em si, o que motivou críticas ferrenhas a Thomas Tuchel foi sua decisão de abdicar da posse de bola, cuja estratégia também foi adotada por Gareth Southgate no histórico recente.
Quando substituiu o inglês no início de 2025, o alemão era visto como a solução da Football Association (FA) para evitar os erros dos últimos 60 anos, quando o English Team foi campeão pela primeira (e última) vez de uma grande competição internacional. Só que a repetição do roteiro foi ainda mais grave na avaliação de Jamie Carragher.
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Em sua coluna no jornal “The Telegraph”, intitulada “Tuchel fez uma besteira ainda maior do que Southgate jamais fez”, o ex-defensor do Liverpool argumentou que parte da imprensa e dos torcedores ingleses se deixou levar por “uma visão romântica de que as coisas teriam sido diferentes” caso a seleção tivesse um treinador de uma “reputação mais sólida” nas últimas quedas traumáticas.
Carragher apontou que Thomas Tuchel, campeão da Champions League com o Chelsea em 2020/21 contra o Manchester City de Pep Guardiola, era visto pelos Três Leões como alguém que “não se intimida”, “mais ofensivo” ou que “revertesse o ímpeto quando a defesa estivesse sob pressão”. Entretanto, assim como Gareth Southgate, ele também tomou decisões equivocadas nos momentos decisivos.
Carragher aponta erro de Tuchel em eliminação da Inglaterra para Argentina
O ídolo dos Reds reconheceu que a Croácia, nas semifinais da Copa de 2018; a Itália, na final da Eurocopa de 2021; a França, nas quartas do Mundial de 2022; e a Espanha, na decisão da Euro 2024, foram “todas superiores” à Inglaterra comandada pelo treinador local. Entretanto, o campo mostrava algo diferente diante da Albiceleste na quarta-feira (15).
— (Essa eliminação) foi pior do ponto de vista técnico, porque a Inglaterra foi melhor que a Argentina durante 72 minutos — escreveu Jamie Carragher.
Até abrir o placar com Anthony Gordon aos 10 minutos da etapa final, o English Team não estava sofrendo lá atrás e vinha mantendo o nível de competitividade do jogo. Só que, a partir dos 27 minutos, o comandante alemão passou a tirar nomes mais ofensivos, como o autor do gol e Reece James, para colocar Ezri Konsa e Dan Burn, montando uma linha de cinco defensores.
A seleção argentina pressionava e vinha tendo sucesso nos cruzamentos e cobranças de escanteio curto, justamente porque os ingleses tinham dificuldades de proteger suas alas. O ex-zagueiro de 48 anos acredita que as alterações táticas de Thomas Tuchel convidaram o time de Lionel Scaloni a cercar a grande área, e que a virada era apenas questão de tempo, sobretudo com a capacidade individual de Lionel Messi.
— A formação da equipe não exigia uma intervenção tão radical. Entre o gol da Inglaterra e o empate da Argentina, ficamos com apenas 12% de posse de bola. Não dá para entrar em modo de sobrevivência tão cedo e esperar que as probabilidades estejam a nosso favor — disparou Carragher.
O ex-jogador inglês concluiu sua coluna dizendo que a FA “não previu que Tuchel estaria lado a lado com Southgate” como um técnico que chegou perto de encerrar o longo jejum dos Três Leões, mas que fracassou por não mostrar algo diferente diante de uma seleção top-10 do ranking da Fifa.
— Somos obrigados a aceitar que, não importa quem seja o técnico da Inglaterra ou quão grande seja sua reputação, sempre damos um jeito de fracassar — finalizou Jamie Carragher.
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